Posts de Setembro, 2007

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“A primavera? A primavera, entre nós, é uma licença poética.” Mario Quintana

In Poesia on 27/09/2007 por Marcelo De Angelis

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In Poesia on 27/09/2007 por Marcelo De Angelis

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VER-ME VELHO
VER-ME VERME
VER MEUS
OLHOS
VER
MELHOS
VER
TER
EM
SANGUE
O ESPELHO

Marcelo De Angelis

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Pastoral

In Pantone Literário, Poesia on 26/09/2007 por Marcelo De Angelis

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Quando era mais jovem
tinha a certeza
que devia fazer algo da minha vida.
Agora, mais velho,
caminho por vielas
admirando as casas
dos muito pobres:
telhados desengonçados
pátios cheios de
velho arame de capoeira, cinzas,
móveis desconjuntados;
as cercas e os anexos
construídos com aduelas
e tábuas de caixotes, todos,
com alguma sorte,
sujos de um verde-azulado
cuja patina
me agrada mais
que qualquer cor.

Ninguém
acreditará que isto
seja tão importante para a nação.

William Carlos Williams – Antologia Breve, Assírio & Alvim, Lisboa, 1995;

seleção e tradução de José Agostinho Baptista.

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In Poesia on 21/09/2007 por Marcelo De Angelis

acima do silêncio o verde

silêncio e uma terra branca dentro

e.e. cummings – Tradução Mario Domingues, Ed. UnB

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Da cor à cor inexistente

In Uncategorized on 21/09/2007 por Marcelo De Angelis

… Que venha um dia o seu livro de tanta riqueza estética e finura de percepção,

a atestar a mescla de artista e humanista, que enriquece a nossa maneira de ver,

desvendando-nos os sutis segredos do mundo.

Carlos Drummond de Andrade Carta a Israel Pedrosa, Rio, 1975

Colaboração de Gilson Camargo

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In Pantone Literário, Poesia on 21/09/2007 por Marcelo De Angelis

Tanta coisa depende
de

um carrinho de mão
vermelho

reluzente de gotas de
chuva

ao lado das galinhas
brancas.

William Carlos Williams

in Antologia Breve – seleção e tradução de José Agostinho Baptista

Ed. Assírio&Alvim, Lisboa, 1995

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In Uncategorized on 21/09/2007 por Marcelo De Angelis

Atrás daquela montanha
tem uma flor amarela;
dentro da flor amarela,
o menino que você era.

Porém, se atrás daquela
montanha não houver
a tal flor amarela,
o importante é acreditar
que atrás de outra montanha
tenha uma flor amarela
com o menino que você era
guardado dentro dela.

Ivan Junqueira

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Pantone Literário

In Pantone Literário, Poesia on 20/09/2007 por Marcelo De Angelis

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Nem só pintores, fotógrafos, arquitetos e designers lidam com esses fenômenos da luz a que chamamos cor. Poetas e escritores, também se debruçam sobre as impressões subjetivas que as cores, seus tons e matizes, são capazes de provocar em cada um de nós, E que, em muitos casos, não conseguimos expressar em palavras. Conversando com amigos sobre o assunto e citando alguns exemplos, como o poema de Carlos Drummond de Andrade “A Morte do Leiteiro”, ouvi de um deles, o Marcos Pamplona, a sugestão de se fazer um pantone literário. Mesmo dita em tom brincadeira, a idéia não me saiu da cabeça desde então. E é o que começo a pôr em prática, pelo menos para efeito de registro, agora aqui no Macanudo. Pra quem não sabe, Pantone é a marca de um catálogo impresso de cores muito utilizado por profissionais da arquitetura e do meio gráfico, principalmente. Talvez um dia isso vire projeto e se transforme em livro com materiais inéditos de novos autores. Mas por ora, vamos com o que temos por aí, o que é não é pouco. Pra começar, escolhi um autor que considero um poeta disfarçado de prosador, o cronista Rubem Braga com seu “O Pavão”. É sublime. E magnifíco. Bom, foi dada a largada. Aguardem outros autores e obras para as próximas edicões, incluindo, é claro, Drummond de Andrade.

O PAVÃO

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
 Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
 Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

O Pavão: crônica extraída do livro “200 crônicas escolhidas”, Editora Record - Rio de Janeiro, 2005, pág. 363. Agradecimentos à Janaina pela dica.