Posts de Outubro, 2007

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A Casa das Palavras

In Pantone Literário, Poesia on 23/10/2007 por Marcelo De Angelis

Na Casa das Palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser colhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido. Na Casa das Palavras havia uma mesa de cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho sangue, vermelho-vinho….

Eduardo Galeano – O Livro dos Abraços, tradução de Eric Nepomuceno – Editora L&PM, Porto Alegre, 2. ed. 2007

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(o fósforo, dormindo ensimesmado dentro da caixa, sonha incêndios) nelson ascher

In Poesia on 03/10/2007 por Marcelo De Angelis

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betamorfose

In Contos Encolhidos on 02/10/2007 por Marcelo De Angelis

Quando certa manhã Gregor Samsa despertou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama de hotel metamorfoseado em um frágil e diminuto inseto de coloração marrom com o cefalotórax baixo, não ultrapassando em altura o abdômem. As oito patas, lamentávelmente esquálidas em comparação com a grossura habitual de suas pernas ofereciam a seus seis olhos, divididos em pares, um espetáculo de agitação sem coerência.

- Onde estou? Que me aconteceu?, perguntou a si mesmo.

Na condição de caixeiro viajante, Gregor viajava dia sim e outro também, o que fazia com que muitas vezes sequer soubesse ao certo em que cidade estava. Uma foto do Jardim Botânico de Curitiba, tirada de revista e enquadrada por uma enjoativa moldura dourada, sanou imediatamente a primeira questão. A segunda resposta veio por consequência.

- Curitiba… devo estar em Curitiba, murmurou Gregor não reconhecendo a própria voz, pouco antes de ser lançado ao ar pela camareira que trocava os lençóis da cama.

- Sinto-me estranho, mas o mais surpreendente é que, pela primeira vez na vida, estou me sentindo em casa.

E tratou logo de achar um canto escuro onde pudesse se esconder.

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“MÍDIA FEZ-ME MEDIANO” Dalton Luiz Gandin

In Uncategorized on 02/10/2007 por Marcelo De Angelis