
tira desenhada pelo laerte e enviada pelo bom e velho amigo sergio machado. na veia.


Garrafas Pet,
amassadas ou não,
chinelos procurando seu par,
pedaços de táboas descascadas,
carcomidas,
(cuja pátina não chega a desagradar),
restos de cordas rotas,
no feio jogados
arames retorcidos e enferrujados,
pregos enferrujados,
cacos de telha,
cacos de telha,
cacos de telha,
caixotes de plástico,
sacos de ruffles
e fandango,
galões de óleo vazios
(que também servem como bóias),
velhas bóias de isopor,
pedaços de isopor,
restos de isopor,
migalhas de isopor,
grãos de isopor
espalhados pela areia
O velho pescador
não sabe essas coisas,
como as gaivotas,
ele só sabe
os peixes do mar
Marcelo De Angelis – Ribeirão da Ilha, 2005

Guarda do Embaú. Janeiro de 2009. No cair da tarde, casal argentino dança um tango na Prainha. Mais adiante, depois do Costão e em frente ao rio, jovens brasileiros empunham seus cavaquinhos e bandolins. Nem tudo o que surfa sobre ondas usa quilhas. Os versos aplicados sobre as imagens são do poeta mexicano Octavio Paz.