Quando certa manhã Gregor Samsa despertou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama de hotel metamorfoseado em um frágil e diminuto inseto de coloração marrom com o cefalotórax baixo, não ultrapassando em altura o abdômem. As oito patas, lamentávelmente esquálidas em comparação com a grossura habitual de suas pernas ofereciam a seus seis olhos, divididos em pares, um espetáculo de agitação sem coerência.
- Onde estou? Que me aconteceu?, perguntou a si mesmo.
Na condição de caixeiro viajante, Gregor viajava dia sim e outro também, o que fazia com que muitas vezes sequer soubesse ao certo em que cidade estava. Uma foto do Jardim Botânico de Curitiba, tirada de revista e enquadrada por uma enjoativa moldura dourada, sanou imediatamente a primeira questão. A segunda resposta veio por consequência.
- Curitiba… devo estar em Curitiba, murmurou Gregor não reconhecendo a própria voz, pouco antes de ser lançado ao ar pela camareira que trocava os lençóis da cama.
- Sinto-me estranho, mas o mais surpreendente é que, pela primeira vez na vida, estou me sentindo em casa.
E tratou logo de achar um canto escuro onde pudesse se esconder.