Guarda do Embaú. Janeiro de 2009. No cair da tarde, casal argentino dança um tango na Prainha. Mais adiante, depois do Costão e em frente ao rio, jovens brasileiros empunham seus cavaquinhos e bandolins. Nem tudo o que surfa sobre ondas usa quilhas. Os versos aplicados sobre as imagens são do poeta mexicano Octavio Paz.
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“¿por que me miras si no me sacas a bailar?”

o urbano não me descansa

Naquela vida que não me lembro devo ter sido outro tipo de pessoa. Um explorador, um pirata, navegador, índio… Devo ter me criado no mato, de pés descalços, andando na floresta, me orientando pelas estrelas num tempo em que não havia luz elétrica. Ah, eu gosto de luz elétrica e de banho quente, sim. Eu gosto de tecnologia, de novidade, de modernidade. Mas nada me descansa no mundo urbano. Descanso é na noite bem escura, no cheiro de bosta de vaca, na onda que bate nas pedras e na trilha do meio do mato onde cantam muitas cigarras. Descanso é usar uma bússola e não precisar de sinaleiras.
Por Silvana B. Morandi. Postado no FOTO e CONTEXTO em 1/28/2008 06:15:00 PM








